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Sheila Kruger é collagista,  artista visual, arteterapeuta psicanalítica com foco no trabalho com idosos em casas de repouso e assistente social. Nascida em Santa Catarina, está atualmente radicada em Campinas,  São Paulo.

 

Seus trabalhos contemplam o silêncio, o mistério, o universo feminino e a memória.

Mas o que é a memória?

Talvez seja aquilo que permanece quando o tempo já quase tudo levou...

 

Resquícios. Vultos. Sombras. Luzes esquecidas nos cantos da alma. Sobras de instantes que continuam respirando dentro de nós.

 

A memória é feita de fragmentos: um cheiro, uma fotografia amarelada, um vestido guardado, a poeira sobre um objeto esquecido. Ela não se apresenta inteira; surge em lampejos, em fissuras, em pequenas aparições delicadas e por vezes, inquietantes.

 

Em seu trabalho, busca justamente esses vestígios do invisível. Aquilo que foi vivido, perdido, silenciado ou sonhado. Cada imagem nasce como quem tenta tocar algo intangível: um eco, uma ausência, uma lembrança que insiste em permanecer.

 

Grande parte dessa busca atravessa o feminino. Interessa-se pelas histórias de mulheres, pelas memórias transmitidas entre gerações, as quais permanecem guardadas nos objetos, nas fotografias, nos tecidos, nas rendas e cartas.

É um território  carregado de histórias que ainda procuram voz: histórias interrompidas, silenciadas ou apagadas.

 

Não se trata apenas de olhar para um passado cheio de marcas, mas de reinventá-lo poeticamente através das colagens e assemblagens, contando novas histórias de força e transformação.  Essas figuras são reinventadas, abrindo espaço para novas possibilidades de existência.

 

Suas colagens e assemblagens são paisagens da memória. Lugares onde o passado ainda sussurra, onde as ausências ganham forma e onde fragmentos de vidas femininas renascem entre a delicadeza, o silêncio, a poesia e o mistério. Cada obra é acompanhada por um poema, escolhido especialmente para dialogar com a peça, entrelaçando visualidade e lirismo. Esses encontros reverberam nos olhares que as contemplam e nos corações que as acolhem.

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