
![IMG_20200902_170259_146[1].jpg](https://static.wixstatic.com/media/003e41_b83a56a03c8f43119ae7fe8dea926684~mv2.jpg/v1/crop/x_0,y_28,w_1058,h_987/fill/w_374,h_349,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/IMG_20200902_170259_146%5B1%5D.jpg)
Sheila Kruger é collagista, artista visual, arteterapeuta psicanalítica com foco no trabalho com idosos em casas de repouso e assistente social. Nascida em Santa Catarina, está atualmente radicada em Campinas, São Paulo.
Seus trabalhos contemplam o silêncio, o mistério, o universo feminino e a memória.
Mas o que é a memória?
Talvez seja aquilo que permanece quando o tempo já quase tudo levou...
Resquícios. Vultos. Sombras. Luzes esquecidas nos cantos da alma. Sobras de instantes que continuam respirando dentro de nós.
A memória é feita de fragmentos: um cheiro, uma fotografia amarelada, um vestido guardado, a poeira sobre um objeto esquecido. Ela não se apresenta inteira; surge em lampejos, em fissuras, em pequenas aparições delicadas e por vezes, inquietantes.
Em seu trabalho, busca justamente esses vestígios do invisível. Aquilo que foi vivido, perdido, silenciado ou sonhado. Cada imagem nasce como quem tenta tocar algo intangível: um eco, uma ausência, uma lembrança que insiste em permanecer.
Grande parte dessa busca atravessa o feminino. Interessa-se pelas histórias de mulheres, pelas memórias transmitidas entre gerações, as quais permanecem guardadas nos objetos, nas fotografias, nos tecidos, nas rendas e cartas.
É um território carregado de histórias que ainda procuram voz: histórias interrompidas, silenciadas ou apagadas.
Não se trata apenas de olhar para um passado cheio de marcas, mas de reinventá-lo poeticamente através das colagens e assemblagens, contando novas histórias de força e transformação. Essas figuras são reinventadas, abrindo espaço para novas possibilidades de existência.
Suas colagens e assemblagens são paisagens da memória. Lugares onde o passado ainda sussurra, onde as ausências ganham forma e onde fragmentos de vidas femininas renascem entre a delicadeza, o silêncio, a poesia e o mistério. Cada obra é acompanhada por um poema, escolhido especialmente para dialogar com a peça, entrelaçando visualidade e lirismo. Esses encontros reverberam nos olhares que as contemplam e nos corações que as acolhem.