

No início de sua trajetória, Sheila Kruger trabalhava quase exclusivamente com papéis e imagens. Com o tempo, surgiu a necessidade de expandir materiais e significados. Passou, então, a incorporar fotografias, tecidos, rendas e objetos como louças — muitas vezes quebradas —, dando origem a delicadas assemblagens.
Muitos dos elementos utilizados vêm de seu acervo pessoal, em especial peças que pertenciam à sua avó materna, figura central em sua história afetiva. Mulher forte e inspiradora, sua avó foi seu porto seguro e uma presença marcante em sua formação sensível. O uso desses objetos carrega uma potência simbólica profunda, como se cada fragmento fosse um elo entre o passado e o presente.
Garimpa, com olhos atentos e coração aberto, em brechós, sebos e feiras de antiguidades, em busca de pequenos tesouros esquecidos — objetos silenciosos, carregados de histórias adormecidas.
Em seu processo criativo, as escolhas não se dão apenas pelo olhar, mas sobretudo pelo sentir. É como se imagens e objetos a escolhessem, conduzindo-a intuitivamente, sussurrando memórias e despertando sentidos.
